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É possível detectar a fronteira que divide a autocompaixão e o egoísmo? Rita Kawamata, instrutora e sócia fundadora da Assertiva Mindfulness, responde a essa pergunta de um aluno na Live de maio/2018, através de histórias ilustrativas mostrando três situações diferentes relacionadas a compaixão e autocompaixão.

Inicialmente, Rita comenta uma passagem do livro “10% mais feliz”, em que Dan Harris, jornalista norte-americano, em entrevista a S.S. o Dalai Lama, expõe seus questionamentos sobre a meditação da compaixão, ao que Dalai Lama responde de forma surpreendente e provocativa: o ser humano é naturalmente egoísta, mas sabemos, através de pesquisas cientificas, que a compaixão nos faz bem; então você vai querer ser um egoísta esperto ou um egoísta bobo? Dan Harris entendeu que a meditação da compaixão beneficia todos os seres, inclusive quem a pratica, e assim se convenceu a praticá-la. Rita recomenda a leitura do livro para saber mais como essa prática passou a fazer parte da vida do jornalista e a influenciar cada interação que ele tinha.

Cuidar de si mesmo é um ato de egoísmo ou autocompaixão?

Rita também relata a história de uma amiga próxima, que em certa ocasião acompanhou por um bom tempo o filho pequeno internado no hospital. Após uma jornada de noites mal dormidas e muito estresse, essa mãe, em uma das saídas do hospital, foi a um salão de cabeleireiro onde pediu: “Por favor, eu quero me sentir bonita, quero me sentir bem”.  Rita questiona: será que esse foi um ato de egoísmo ou de autocompaixão?

O terceiro elemento que Rita trouxe para a conversa é uma citação de Dipa Ma, uma mestra de meditação nascida em Bangladesh que passou por grandes desafios em sua vida e afirmava que, na experiência dela, não existia diferença entre Mindfulness e a bondade amorosa. A prática da atenção plena trouxe para ela bondade. Mindfulness, além de ser um treino da atenção, é uma forma natural de desenvolver empatia, ou seja, a capacidade de se colocar no lugar do outro. Com a prática, torna-se mais fácil perceber o sofrimento ou a confusão pela qual o outro está passando, mesmo em momentos em que ele nos magoa ou machuca, e querer pôr fim ao sofrimento, e isso é compaixão.

Compaixão e autocompaixão

Existem dois termos: compaixão e autocompaixão? Ou trata-se da mesma experiência? Temos mais elementos comuns do que elementos de ruptura? Através da prática de Mindfulness, torna-se mais fácil perceber que, assim como nós sofremos, o outro também sofre, mas as formas de reagir são diferentes. Uns se fecham, outros se abrem, se tornam agressivos, etc., mas a experiência de estar em contato com o desconforto ou sofrimento é a mesma para todos, bem como a vontade de sair do sofrimento também é comum, porém cada um faz as escolhas de como reagir ou agir. E agir com mais mindfulness, mais atenção e consciência, geralmente traz mais benefício não só a si mesmo como também aos demais.

A compaixão se expande e se torna imensurável

Na tradição contemplativa oriental, de onde o Mindfulness surgiu, existe um conjunto de meditações chamado de “Quatro Imensuráveis”, que focam em quatro sentimentos ou qualidades (amor, compaixão, alegria empática e equanimidade). Os quatro são expansivos e ultrapassam a barreira do individualismo. Levando em conta a ótica dessa tradição, nos cursos de Mindfulness partimos do pressuposto de que a compaixão é a inclinação natural que o ser humano possui de notar que existe um sofrimento e querer fazer algo para eliminá-lo.

Ao se expandir, a compaixão ultrapassa a barreira do “eu com a minha experiência” e “o outro separado de mim”. A compaixão abole barreiras, e então não existe autocompaixão. Dentro desse contexto, podemos ver somente a compaixão, pois a autocompaixão já existe dentro dela.

Para você transbordar você precisa estar cheio

Observando uma prática de meditação da compaixão estruturada, percebemos que ela inicia em nós mesmos, preenchendo cada parte de nosso ser, e depois ela se expande para todos os seres, começando pelos mais próximos, seguindo para os que amamos, depois para os que nem conhecemos e eventualmente seguindo para até aqueles com quem temos alguma diferença. Estando plenos, banhados na autocompaixão e deixando a compaixão se expandir, fluir, e chegar a todos os seres.

Porém existem pessoas que acreditam que precisam sofrer. Suas crenças limitantes a impedem até mesmo de praticar, conforme vemos nos cursos de Mindfulness. São pessoas que enxergam diversas razões para não praticar, não meditar. Então nos cursos de 8 semanas mostramos como é possível se perceber diariamente, tirar um tempinho do seu dia para se observar sem julgamentos e iniciar esse encontro com a compaixão.

Pergunta feita por uma participante de nossas lives no Facebook sobre a diferença entre mindfulness e meditação.

Chegou uma pergunta da Priscila: O que difere a prática do mindfulness e a meditação? Priscila, eu não sei se você já está familiarizada com alguma prática de mindfulness, mas assim: mindfulness é algo que todos nós temos. Certo?

Mindfulness é uma habilidade humana

Mesmo se você não praticar meditação, o tipo específico de meditação da atenção plena, você possui mindfulness, mindfulness é uma habilidade humana. É a consciência, a capacidade de perceber as coisas enquanto elas estão acontecendo, tanto interiormente, na sua experiência interna, quanto exteriormente, na sua ação no mundo. Então a gente já tem mindfulness.

O que acontece é que existem formas de você desenvolver ainda mais, de você expandir essa sua habilidade natural, que é o que a gente tenta propor nos cursos. Então, digamos assim, a meditação é uma das formas pelas quais a gente pode desenvolver ainda mais nosso mindfulness, nosso nível de consciência, nosso nível de atenção, nosso nível de percepção, entre outras habilidades. Como eu falei, é um caminho, e de repente você se descobre mais empático e mais compassivo. É um caminho que vai se desdobrando ao longo do tempo. Então é isso, Priscila, existem técnicas, se você quiser usar essa palavra mais fria, mas existem práticas meditativas que nos ajudam a expandir a nossa capacidade de atenção, de concentração e de presença. Essas meditações são usadas nos cursos, nos programas de mindfulness, mas não só elas… Existe um rol de atitudes e de habilidades, de ferramentas que a gente pode usar para estar cada vez mais presente, atento, engajado; cada vez mais mindful. Falando em prática de meditação, a principal que a gente usa para desenvolver mindfulness é atenção à respiração.

O movimento da respiração

Então você, geralmente sentada, trazer a sua atenção para o movimento da respiração acontecendo no seu corpo, momento a momento. Essa é uma ferramenta poderosa de estabilizar a atenção no corpo, no processo que está acontecendo no corpo vivo, e a partir daí você começa a ganhar várias e várias habilidades e aumentar seu conforto no seu próprio corpo. Então você se familiariza com a sua respiração, você percebe que ela está sempre mudando e daí você percebe que a respiração está acontecendo no corpo, que é o seu corpo vivo. E aí você está na cada vez mais confortável e tranquila dentro do seu próprio corpo. E essa pode ser uma experiência super, super importante na nossa vida. A gente estar tranquilo, atento, confortável e confiando no próprio corpo que a gente tem. Por incrível que pareça, essa é uma prática muito poderosa apesar de ser tão simples. Então eu espero ter te ajudado, Priscila.

Pergunta feita por uma participante de nossas lives no Facebook sobre o mito do mártir e o sofrimento.

A Grazi fez um comentário: ela observa no dia a dia um tal do mito do mártir: as pessoas não se permitem se livrar do sofrimento, às vezes nem sabem que isso é permitido. Você também tem essa percepção?

Olha, Grazi, tenho. Inclusive comigo. Não são poucos os momentos em que eu me percebo sofrendo e percebo que eu estou um tanto enovelada nesse sofrimento. E que eu acabo construindo um tanto da minha vida em cima dessa situação.

Na verdade o sofrimento… uma outra forma de falar do sofrimento (mito do mártir), que eu acho que faz bastante sentido também, é insatisfação. A palavra dukkha, que na tradição se refere a esse sofrimento, uma das traduções dela é insatisfação.

Insatisfação gerando o Mito do Mártir

E aí eu acho que começa a fazer mais sentido ainda. Então, por exemplo, eu tenho algo que não me traz uma satisfação completa, e aí eu sofro. Ou então eu não tenho algo que eu acredito que possa fazer minha vida ficar maravilhosa, e aí eu sofro. E aí a gente se vê no dia a dia o tempo todo lidando com esse “Ai, como eu queria uma coisa diferente”, “Ai, como eu não quero o que está acontecendo agora”. Esse já é um tipo de sofrimento, e a gente lida o tempo todo com ele.

“Puxa, eu queria trabalhar menos, mas ao mesmo tempo é pelo meu trabalho que eu me realizo, ou que eu tenho dinheiro para fazer algumas coisas que eu quero”, e daí eu fico nessa crise, de “tenho o que eu não quero / não tenho o que eu quero”. Eu acho que esse é um sentimento que todo mundo aqui já deve ter experienciado e que gera a sensação de mito do mártir. Então eu vejo que esse mito do mártir pode acontecer em momentos bem corriqueiros, em coisas bem pequenas, em estruturas bem “micro” da nossa vida, da nossa existência… que é quando a gente sofre simplesmente pelas coisas que estão ali dadas; a gente escolhe olhar para a metade do copo que está vazia.

Olhar para a metade do copo vazia

Este é um exercício bacana que dá para fazer, às vezes a gente propõe nos grupos de 8 semanas: Você faz uma lista de coisas boas, ruins e neutras que você tem na sua vida, ou num dia. Você tira um dia da sua vida e no final desse dia lista o que foi bom, o que foi ruim e o que foi neutro. E aí você presta atenção nos itens que estão ali e na dificuldade que você teve: “Ah, eu só enxerguei coisa boa, mas não enxerguei nada ruim” ou então “Nossa, só apareceu coisa ruim, mas nada bom” ou então “Teve muito bom e muito ruim, mas nada neutro”. E aí a gente pode começar a brincar um pouco com essas categorias do que é bom, do que é ruim e do que é neutro, e perceber que elas não são tão fixas assim.

Brincar com as categorias de bom, ruim e neutro

Por exemplo: “Eu acordei, escovei os dentes, coloquei minha roupa e fui trabalhar, e tudo isso eu coloquei como neutro, porque não é bom nem ruim acordar, escovar os dentes, pôr a roupa e ir trabalhar”… Até passa despercebido; é como se eu nem vivesse aqueles momentos, porque é algo que está tão no piloto automático, né? Eu já assumo aquilo como algo tão… banal. E aí você pode fazer o exercício de brincar um pouco com isso. Então: “Puxa, o fato de eu acordar na minha casa, escovar os meus dentes no banheiro, abrir um guarda-roupa que tem várias roupas, escolher uma e vestir, e depois ainda tomar um café da manhã com suco verde, sem glúten, e depois sair para o meu trabalho”… Esse neutro esconde tanta coisa boa que eu tenho: eu sou saudável, eu consigo me locomover sozinha, eu tenho uma casa, eu tenho roupa para vestir, eu tenho um trabalho e tenho ainda a sorte de estar inscrita no curso de mindfulness, em que uma instrutora me pede para fazer uma lista do que é bom, ruim e neutro na minha vida, e ainda fazer uma reflexão sobre isso. A gente é muito privilegiado, né? Então aí você começa a brincar um pouco com as categorias de bom, ruim e neutro. E talvez, quem sabe, brincar um pouco com esse mito do mártir. Com esse estado mental em que parece que a gente está sempre fazendo mais do que pode ou do que aguenta. Brincar um pouco com isso e perceber que tem uma escolha.

Escolhas

Se você resolveu ajudar alguém ou fazer algum tipo de atividade pensando no bem do outro, e isso está pesando para você, o primeiro passo de autopercepção é reconhecer que existe uma escolha aí. Você é livre para fazer escolhas e você escolheu realizar isso. Se chega um ponto em que essa escolha se torna um peso e começa a ficar pesaroso para você, qual seria então a atitude de compaixão nesse momento? Compaixão que abrange a autocompaixão, né? Qual seria? Qual seria a atitude mais egoica ou egoísta, ou egocentrada? Existe uma resposta pronta? Não, acho que aí cada um tem que ter a honestidade e a coragem também de parar e olhar para sua escolha ou para esse rol de escolhas que a gente faz e que se chama “minha vida”, “meus compromissos”, “minha carreira”, “minha profissão”, seja lá o que for, “minha prática de meditação”, “minha prática de mindfulness”… Ter a coragem de olhar para isso, com honestidade, decidir se quer continuar mantendo as mesmas escolhas ou não. Aí você aumenta ainda o seu rol de escolhas.

O que você acha, Grazi, do que eu falei? Não sei se fez sentido, se eu fui clara… Tem uma uma frase: “A dor não é opcional, mas o sofrimento pode ser”. Então, mesmo diante de situações de sofrimento e perda, o nível de sofrimento, a minha resposta em relação a isso, está atrelada a uma escolha minha. Como eu vou experienciar isso? Como eu vou experimentar? Aonde eu vou dar mais atenção? Vai ser na perda? Nesse sentimento de “Ah, como eu sou um miserável”, ou eu vou dar mais atenção para o fato de que existe um contexto enorme que está acompanhando aquele momento de perda? Esse momento de perda aconteceu num contexto muito amplo e complexo, e tem vários lados, e todos os lados se comunicam… (A Vandreza entrou e daí eu lembrei da complexidade.)

Complexidade

Então todos os lados se comunicam, existem muitas partes… Partes que eu vejo; partes que eu não vejo… Partes que eu consigo reconhecer, outras eu ainda não consegui reconhecer.

Então, dentro desse todo complexo, sim existe uma perda, existe uma morte, existe um sofrimento, mas se nesse momento eu consigo ampliar minha percepção… lembrando que somos milhões, somos bilhões, somos muitos, e que a vida está acontecendo o tempo todo, mesmo quando há mortes, mesmo quando há baixas, a vida continua a acontecer. Um corpo se decompõe e pode alimentar terra – e esse pode ser um ponto de vista que eu olho para a morte. A vida continua a acontecer; ela não para.

A vida continua a acontecer

Os microorganismos que estão na terra não param a sua atividade porque eles ficam muito deprimidos, porque alguém morreu… Eles simplesmente continuam, a vida simplesmente continua a fluir. Mesmo num corpo doente – isso Jon Kabat-Zinn, que é o precursor do mindfulness (algumas pessoas se referem a ele assim), foi ele que sistematizou esse mindfulness secular. O Jon Kabat-Zinn atendia no começo pessoas que tinham graves problemas de saúde, que tinham graves comprometimentos, às vezes pacientes terminais, e ele tinha a compaixão e a clareza de mostrar para essas pessoas que “se você está aqui, vivo, respirando, e ainda pode prestar atenção na sua respiração, existem mais coisas certas do que erradas em você”.

Existem mais coisas certas do que erradas em você

Então mesmo num todo em que existe uma parte que sofre, ou que está doente, há mais coisas certas do que erradas. A vida ainda está acontecendo, está lutando para continuar a acontecer da forma que ela consegue. Então, olha que interessante: de acordo com isso, mesmo algo que é muito ruim, como uma doença, e estaria na lista do “ruim”, de repente pode se transformar. A nossa percepção disso pode se transformar. E mesmo assim, apesar da doença, a gente encontrar motivos para contentamento. Contentamento de estar vivo e estar inserido num contexto que é saudável.

O ano começa, e costumamos criar uma imagem de como gostaríamos que ele fosse: criamos metas, resoluções e acreditamos que conseguiremos, com nossos velhos hábitos e crenças, conquistar tudo o que almejamos nesse recomeço. Muitas vezes, queremos tudo diferente fazendo tudo igual. Será que essa equação dá certo?

Para dar certo, precisamos lembrar que em tudo o que fazemos temos algo sutil, porém bem prático: nossa atenção. Treinamos por anos colocar a nossa atenção em momentos, coisas, pessoas e lugares específicos. Onde está o nosso foco lá está a nossa vida. Isso é muito importante de realizar quando queremos mudanças reais em nosso dia a dia.

Por isso, para ajudar você a começar, ou recomeçar, 2018 mais focado, listamos 5 dicas interessantes de colocar em prática do ponto de vista de mindfulness e da prática de meditação:

1. Supere um desafio por dia

Calma, antes de achar que é piada ou que não vai conseguir, pense por um minuto no que é impossível para você: talvez seja ficar um dia inteiro sem tomar café ou consumir açúcar, por exemplo. Quem sabe um dia inteiro sem internet ou usar uma cor que você não gosta muito. O importante é trazer o novo para o dia a dia; quando fazemos coisas novas e quebramos hábitos, nossa atenção fica mais afinada, e nos sentimos mais focados.

2. Use sua mão não dominante

Escovar os dentes com a mão trocada, tomar banho, digitar com a outra mão… Quando usamos nossa mão não dominante, saímos do piloto automático e ficamos mais focados. Assim, cultivamos estar mais presentes e atentos, o que já fortalece nosso foco.

3. Pratique mindfulness usando a respiração

Quando praticamos meditar com atenção plena (mindfulness) à respiração, repousamos o nosso foco nesse movimento do corpo. Inspirando, sabemos que estamos inspirando; expirando, sabemos que estamos expirando. E, quando um pensamento, emoção ou algum fator externo nos distrair, apenas reconhecemos a distração e voltamos para a respiração. 10 minutos por dia de prática regular de mindfulness usando a respiração, por pelo menos 8 semanas, aumentam nossa capacidade de sustentar o foco em nossas tarefas por períodos mais longos do que habitualmente conseguimos.

4. Faça uma tarefa por vez

Quando o assunto é foco e produtividade, pesquisas mostram que o mito da multitarefa já caiu por terra. Ser multitarefa reduz o nosso foco e nos torna mais suscetíveis a errar no que estivermos fazendo. No trabalho ou em casa, escolha fazer uma ação por vez. Quando cortar um legume, apenas corte-o até o fim; quando escrever um e-mail, elabore-o e siga por todo o processo de escrevê-lo. Praticar assim no dia a dia é uma forma de fortalecer o “músculo da atenção”.

5. Pratique a comunicação mindful

Ao comunicar-se, note se você está sendo conciso em suas palavras. Quando escutar, teste escutar como uma esponja, realmente focando no que a outra pessoa está dizendo. Ao praticarmos a escuta atenta e a fala precisa, estamos exercitando o foco no outro. Assim, usamos melhor o nosso tempo, além de realmente estarmos atentos e presentes para nossas relações.

Todas essas dicas são praticadas nos cursos de meditação mindfulness e compaixão oferecidos pela Assertiva, e o mais interessante é o resultado do grupo ao ver o que muda, semana após semana, quando escolhemos fazer uso da nossa atenção de modo consciente.

São métodos simples, que ajudam a treinar a atenção e o foco deliberadamente – algo inovador, pois normalmente passamos quase 50% do nosso tempo perdidos em pensamentos de passado, futuro ou fantasias e imaginações.

Como mindfulness é prática, e não teoria, queremos saber de vocês qual foi a sua experiência colocando em prática uma ou todas as dicas acima. Algo mudou? Você consegue se imaginar realizando alguma delas? Conta pra gente.

Olá pessoal, tudo bem? Meu nome é Caroline, eu sou instrutora da Assertiva Mindfulness e hoje eu estou aqui para falar um pouco sobre os benefícios da meditação que nós colhemos na prática. Quem já pratica já sabe um pouco do que eu vou falar, e pra quem nunca praticou eu desejo que esse vídeo motive a criar uma rotina de prática, talvez ler um pouco sobre mindfulness e meditação e, quem sabe?, participar de algum dos nossos cursos.

Os benefícios que a gente colhe da prática são enormes. Espero que, neste vídeo, eu possa pincelar um pouco do que a gente colhe mais no começo, pelo menos olhando para um curso de 8 semanas ou no semi-intensivo. Pensando no curso de 8 semanas ou no semi-intensivo, o primeiro benefício que a gente colhe é a autopercepção, a própria atenção plena. Quando a gente começa a praticar meditação e cria uma rotina, um ritmo de prática, a nossa autopercepção começa a ficar bem afinada, fica sensível. A gente vai expandindo a atenção para todos os campos da nossa vida, então a gente percebe quando está distraído, a gente percebe quando está presente, e as coisas ganham mais cor, mais vida. A gente começa a perceber hábitos saudáveis e não saudáveis. Começa a perceber algumas coisas no outro para as quais a gente não olhava antes.

Reconhecendo os benefícios da meditação

Então a nossa autopercepção vai expandindo à medida que a gente vai praticando. Esse é o primeiro benefício que a gente colhe quando começa uma rotina de meditação.

O segundo benefício é que nós tomamos as rédeas da nossa vida. A gente começa a fazer escolhas conscientes porque tem a base da percepção, tem a base de mindfulness. A gente está expandindo a atenção. Então, com essa base, a gente começa a fazer escolhas conscientes, escolher e saber o que está escolhendo. Começa a criar hábitos melhores, sair do piloto automático. Escolher e seguir com a escolha, fazer o que precisa ser feito, e nisso a gente ganha mais poder. A gente se sente mais poderoso, no sentido de que leva o barco da nossa vida do jeito que a gente quer, em vez de ser tomado por emoções, causalidade, eventualidade.

O terceiro benefício criado com a prática é a autocompaixão. Quando a gente percebe que tem um corpo, uma mente funcionando, a nossa atenção vai ficando mais refinada e somos responsáveis pela nossa vida e pelas nossas emoções, a autocompaixão brota. A gente começa a olhar mais a gente mesmo de um jeito mais carinhoso, não de autoapreciação do tipo “ah, eu tô cansado, vou fazer isso ou aquilo”, mas na verdade a autocompaixão vem de um lugar saudável, a gente começa a cuidar da gente, a gente começa a fazer escolhas que beneficiam a nossa vida, o nosso corpo e a nossa mente.

A conexão dos benefícios da meditação

Percebam que todos os benefícios da meditação estão entrelaçados e um vai puxando o outro. A atenção plena vai puxando a tranquilidade, pra gente fazer escolhas melhores, e disso tudo vem a autocompaixão. A gente percebe os nossos sofrimentos e cria ações para o sofrimento desaparecer ou ser minimizado; ou, se o sofrimento não pode ser minimizado, a gente cria um relacionamento mais saudável e benéfico com ele.

Com isso, a gente vê mais um benefício, que é a conexão. Nós percebemos que nós somos porque todos são. Estamos todos no mesmo barco, moramos todos no mesmo planeta, respiramos todos o mesmo ar. Somos diferentes, porém somos iguais em essência. Então, a gente se sente conectado com tudo e todos, desde a formiga do chão até aquele ser que a gente não tem um bom relacionamento. A partir disso, dessa interdependência que vem com a prática, essa realização, a sabedoria de entender que todas as minhas ações têm um resultado na vida do outro, e o outro também tem ações que resultam na minha vida, a comunicação com os outros seres melhora. Os nossos relacionamentos ficam melhores, porque a gente tem toda essa base de benefícios colhida a partir da rotina de prática, e, com tudo isso, o que puxa é a compaixão. Uma compaixão um pouco mais expandida do que só a autocompaixão.

Eu, lógico, cuido de mim, procuro fazer boas escolhas pra mim, mas também olho para o outro, para os outros, para todos os seres que vivem neste mundo. A gente começa a entender que cada escolha que eu faço tem uma influência muito grande em lugares que eu nunca vou ver. Então a gente começa a escolher beneficiar os outros, fazer ações que podem minimizar o sofrimento do outro ou ajudar o outro a lidar com o próprio sofrimento a partir do momento que a gente sabe que todo mundo quer ser feliz, não é?! Todos estamos buscando a felicidade em tudo que a gente faz, seja tomar limão em jejum ou parar de fumar. Todas as ações de todos os seres são em busca da felicidade. E, quando a gente realiza isso, a gente só pode ter compaixão.

É possível muito mais

Esses são alguns benefícios que surgem como a rotina de prática. Alguns a gente consegue experienciar numa sessão curta de 10 minutos, mas eles realmente ficam, a gente realmente integra esses benefícios na nossa vida a partir do momento em que nós criamos uma prática consistente, todos os dias, pelo menos 5 minutinhos, 10 minutinhos. Quando a gente para e pratica, a gente consegue alcançar todas essas coisas. A gente consegue integrar a partir do momento que a gente tem uma rotina de prática.

Há outros milhares de benefícios que a gente alcança na prática. Alguns deles nós colocamos no nosso Facebook, que são listados pelo Jon Kabat-Zinn: são as 9 atitudes de Mindfulness. Se vocês quiserem saber um pouco mais, deem uma olhada no nosso Facebook. E eu quero saber de vocês, nós queremos saber de vocês: quais os benefícios da meditação que vocês atingiram com a prática? Vocês percebem alguma mudança depois de terem feito um curso, um workshop ou semi-intensivo (conosco ou com outros instrutores)?

E, se você busca esses benefícios, você pode começar a qualquer momento com uma respiração, prestando atenção no ar entrando e saindo momento a momento. Você já pode começar a plantar a sementinha de todos esses benefícios incríveis que vêm com a prática de meditação mindfulness.

Então, espero que esse vídeo, por mais curtinho que seja, possa ter instigado a sua curiosidade em praticar com a gente. Para mais informações, entre no nosso site: www.assertivamindfulness.com.br. Nós estamos com vários cursos abertos. Venham praticar com a gente!

Qualquer dúvida, nos escrevam. Um abraço, e até a próxima.

A instrutora do curso de meditação mindfulness Caroline Lopes explica como funciona os cursos de 8 semanas da Assertiva Mindfulness.

O curso “Sorria, você está sendo” acontece em 8 encontros semanais com duração de 2 horas cada encontro, onde são trabalhadas técnicas formais de atenção focada e também técnicas formais de atenção aberta, para desenvolver mindfulness e outras qualidade inerentes ao ser humano.

Os encontros são sempre realizados em espaços parceiros da Assertiva Mindfulness, com grupos de 15 a 30 pessoas. Na primeira metade do curso (atenção focada) são olhadas algumas competências pessoais, começando pela autopercepção, seguida da autodeterminação e da autocompaixão, que criarão uma base de tranquilidade, clareza, foco e relaxamento para que se lide com a própria experiência e o mundo de forma mais saudável.

Na segunda metade enfatizamos a atenção aberta, quando nos encontramos com o mundo. São trabalhadas competências relacionais, como conexão, compaixão e comunicação, que através da base criada inicialmente podem agora florescer com mais qualidade.

O curso apresenta 7 técnicas formais para cultivar mindfulness, começando pela meditação sentado com foco na respiração, e de 8 a 10 técnicas informais. Assim, o participante é incentivado a praticar as técnicas formais entre os encontros, criando uma prática diária, e também a experimentar as técnicas informais em diversos locais e momentos do dia a dia (como no trabalho e nas relações familiares), a fim de integrar a prática mindfulness momento a momento em sua vida. Nos encontros, após a apresentação de cada técnica e a prática em grupo, existe um momento para compartilhamento das experiências que surgem entre os participantes. O poder do grupo é imenso e facilita que cada participante crie sua prática diária regular e formal, pois sabe-se que os demais também estão passando pelas mesmas descobertas e desafios.

Próximo ao fim do curso é feito um encontro de imersão, em um sábado ou domingo, no formato de minirretiro, onde a prática é aprofundada através da revisão de todas as técnicas aprendidas e da experiência em silêncio.

Visite a agenda de cursos no nosso website e venha fazer parte do próximo grupo!

Assista o vídeo Curso de Meditação Mindfulness: Sorria, você está sendo – no Youtube

Mindfulness significado e tradução – Meditação mindfulness ou atenção plena, como é comumente traduzida, é uma abordagem de integração entre corpo e mente que, se praticada regularmente, pode ajudar a desenvolver tranquilidade, concentração, regulação emocional, e otimizar relacionamentos interpessoais, relacionamentos afetivos, profissionais, bem como qualquer outra experiência humana.

A base da prática é cultivar atenção e consciência em cada momento, reconhecendo pensamentos, sentimentos e sensações corporais com uma atitude de abertura e curiosidade.

A prática regular expande a capacidade inata de estarmos conscientes no momento presente, ajudando a lidar com experiências difíceis e criando espaço para decisões mais conscientes e compassivas.

Meditação mindfulness significado

Jon Kabat-Zinn, criador do modelo MBSR (Mindfulness Based Stress Reduction), define mindfulness como uma prática de prestar atenção no momento presente, intencionalmente e sem julgamentos. É uma maneira de estar profundamente sintonizado consigo mesmo, com o meio ambiente e com aqueles que nos cercam, cultivando um estado mental focado e consciente.

Para tanto, os programas de mindfulness (como o MBSR) ensinam técnicas de meditação, a principal delas usando a própria respiração como a base para o treino da atenção.

Como praticar meditação mindfulness?

A prática formal de mindfulness consiste em intencionalmente parar, sair do piloto automático, e reservar um tempo para estar ciente da sua experiência no momento presente, sem julgamentos ou autocrítica.

Geralmente, os praticantes se sentam em uma postura confortável e digna, prestando atenção à própria respiração; ao notar que a mente se distraiu ou divagou, eles gentilmente retornam a atenção para o corpo respirando.

Treinando a atenção dessa forma, pouco a pouco nos tornamos mais conscientes do que estamos sentindo e experimentando momento a momento, sem ter de comentar ou analisar as experiências.

Assim, treina-se uma atitude de gentileza consigo mesmo, sem se reprimir por ter tido pensamentos ou dificuldade de concentração.

Reconhecemos que nossa mente está habituada a se distrair, que isso é completamente normal, e aqui escolhemos outra forma de usar a mente.

Quem pode praticar?

Qualquer pessoa pode praticar a atenção plena, independentemente de idade, habilidade física, religião ou crenças. Não é necessário ter nenhuma aptidão específica ou conhecimento prévio de meditação.

Todas as pessoas já possuem a capacidade de estar no momento presente; trata-se de aprender a cultivá-la, com práticas simples, que podem melhorar a qualidade de vida como um todo e ajudar no processo de desenvolvimento pessoal.

Como a atenção plena pode fazer parte da sua vida diária? Muitas pessoas esperam pela felicidade projetando metas para o futuro, focando em coisas que precisam conquistar para se tornarem seres mais felizes e completos, mas na verdade a felicidade é uma experiência que pode ser vivenciada somente no momento presente, quando estamos imersos no estado de atenção plena.

Estar plenamente atento é algo que todos nós somos capazes de acessar. A prática consiste apenas em nos lembrarmos, momento após momento, de repousar a atenção intencionalmente no que quer que esteja acontecendo, livre de julgamentos. É uma capacidade inata que, através de treinamento consistente – como a meditação –, podemos expandir e desenvolver. No cotidiano podemos praticar de várias formas, de modo que nossa vida se torne nossa prática.

Atenção plena ao alimentar-se

Comer é algo que fazemos todos os dias, geralmente três vezes por dia. Invariavelmente em algum momento precisamos nutrir nosso corpo com algum alimento. Quando escolhemos comer com atenção plena, uma ação ordinária toma outra dimensão: o alimento ganha cor, forma e interesse, nosso corpo e mente se enchem de curiosidade, e o estômago fica satisfeito.

Higiene e atenção plena

Escovar os dentes, tomar banho, lavar a louça são oportunidades maravilhosas para praticarmos e integrarmos mindfulness no dia a dia. Nesses momentos podemos aproveitar também para, como uma brincadeira, mudar hábitos. Experimentar escovar os dentes com a mão não dominante, tomar banho no escuro e lavar a louça lentamente são práticas divertidas que nos tiram do piloto automático, tornando-nos mais presentes.

Trazendo a atenção para o corpo

Em qualquer momento do dia, traga sua atenção para uma parte do corpo, como as mãos, ou os ombros. Se existir alguma tensão, por exemplo nos ombros, permita que o relaxamento encontre essa parte do seu corpo. Faça um “escaneamento” geral pelo corpo sentindo-o por inteiro e soltando qualquer contração desnecessária.

Três respirações conscientes

Na fila do banco, do supermercado; na reunião de trabalho; ou talvez antes de responder a seu filho ou filha, que tal prestar atenção em três respirações? Em qualquer momento e em qualquer lugar, repouse a atenção intencionalmente na respiração natural. A respiração é a melhor amiga da atenção plena.

Atenção plena ao caminhar

E se, ao caminhar, em vez de focar no destino, você prestar atenção à sensação do corpo se movendo no espaço, às solas dos pés ou à sua respiração acontecendo naturalmente? Andar é algo que tomamos como garantido, esquecendo que passamos anos aperfeiçoando o movimento de andar e que um dia toda a nossa atenção já se concentrou nessa ação. Experimente caminhar com plena atenção e mais lentamente do que a velocidade de costume.

Como praticar a atenção plena no trabalho? A atenção plena – ou mindfulness – pode otimizar as relações como um todo, inclusive no trabalho. Já pensou em como você pode praticar a atenção plena no trabalho? Aplicar os pilares do mindfulnes no dia a dia profissional pode ajudar a melhorar as relações com seus colegas e seu chefe, diminuir estresse, irritabilidade e depressão e ainda levar ao bem-estar e à felicidade em longo prazo. Veja como fazer isso em 5 passos simples!

1 – Esteja no momento presente

Administre seu estado mental e emocional e pratique a atenção plena consciente sobre suas atividades a todo momento. Faça uma pausa antes de começar a trabalhar, respirando por três vezes com muita atenção, para definir a intenção do seu dia. Mantenha-se focado nessa intenção ao longo do dia e trabalhe de forma atenta, conectando-se aos seus sentidos.

2 – Faça exercícios conscientes

Pratique exercícios curtos para treinar sua atenção plena ao longo do dia. Preste atenção em cada ação que realizar durante esses exercícios – você pode realizar uma caminhada ou prestar atenção na sua respiração, por exemplo. O processo ajuda a reequilibrar o sistema nervoso, diminuindo a resposta impulsiva de agir e fazendo com que tome decisões mais fundamentadas na sua intenção, em vez de reagir automaticamente às situações.

3 – Uma tarefa por vez

Por mais que o mercado exija cada vez mais pessoas “multitarefas”, ninguém consegue realmente desempenhar uma tarefa com eficiência e qualidade enquanto estiver se dividindo entre múltiplas atividades. Por isso, faça uma lista de suas tarefas e vá riscando uma a uma, após serem concluídas. Lembre-se de fazer uma por vez e se desligar completamente de celular e outras distrações quando estiver fazendo isso.

4 – Ative lembretes

Coloque lembretes para se lembrar de permanecer em atenção plena no seu dia; por exemplo, ativar um alarme no celular ou colocar post-its no computador. Se agir no piloto automático, reconheça isso e retome a atenção plena no seu trabalho. Assim, a criatividade flui.

5 – Diminua a velocidade para obter eficiência

Evite realizar as tarefas correndo, por mais que você demore mais do que de costume em completá-las. Ao diminuir a velocidade, você pode se tornar mais eficiente, produtivo, realizado e feliz no trabalho. Fazer as coisas correndo leva a decisões ruins, mau uso na energia e pior qualidade.

No texto anterior, abordamos o primeiro dos pilares do mindfulness: atenção. O segundo pilar é a intenção, relacionada ao questionamento: por que eu estou fazendo isso? A cada momento, em cada ação que realizar, procure investigar isso, compreender a motivação por trás da sua ação em dado momento. Estar mais presente e consciente pode evocar a motivação que precisa para seguir em frente na sua jornada diária.

Pergunte-se qual a sua aspiração, o que profundamente o motiva, qual o propósito pelo qual você acorda todas as manhãs. Entender como a intenção (ou motivação) move suas decisões e, consequentemente, suas ações é importante para perceber se o caminho que você está trilhando é realmente aquilo que você deseja. De que forma esta ação, que acontece neste momento, te ajuda a se aproximar das suas metas de vida?

Importante destacar que tais questionamentos não precisam ser encarados como pressão. Eles podem ser um caminho para descobrir qual o sentido de suas ações e conectar suas intenções com o seu coração, com aquilo que é sua vocação, seu propósito, sua essência.

Conectando-se com seu coração

A intenção ajuda a encontrar a direção que você quer seguir em meio à infinidade de possibilidades. Entender que a intenção é como o Norte da bússola implica assumir a responsabilidade por nossas ações, emoções e pensamentos, pois sabemos que nossa resposta às situações que a vida nos apresenta é uma escolha. O empoderamento surge como recurso natural, sempre presente em nós.

No treino de mindfulness, é importante permanecer atento, ver claramente, apoiado por uma base de profunda tranquilidade e relaxamento. Pode parecer um paradoxo, mas tente puxar da memória os momentos em que você fez melhores escolhas – certamente foram momentos com uma atenção clara e precisa e um centramento tranquilo. Para cultivar cada vez mais essas qualidades, recomendamos aplicar e estar ciente de todos os pilares do mindfulness: intenção, atenção e atitude. Assim, mudanças expressivas podem acontecer em sua vida, melhorando o relacionamento com as pessoas à sua volta.