Author: Assertiva Mindfulness

Algumas práticas de meditação são muito usadas no mindfulness, no treinamento da atenção plena. Porque a meditação é uma super oportunidade de a gente treinar a nossa mente.

Treinar no sentido de ir estabilizando a atenção. E para que eu quero estabilizar a atenção? Para conseguir estar pleno na experiência que tiver acontecendo.

Em qualquer situação da minha vida, se eu conseguir estar pleno no que está acontecendo, percebendo, lógico, todos os pensamentos, os impulsos, os meus padrões, vontade de responder assim, vontade de sair correndo, vontade de fazer tal coisa, mas mesmo assim ainda ali, presente, engajado… Aí eu vou ter tomado as rédeas da minha vida.

Que vocês acham? Então o Thich Nhat Hanh sugere que a gente faça isso lavando a louça, tomando banho, quando você for calçar os sapatos, quando você for conversar com alguém… Você não precisa só esperar o momento da meditação formal para desenvolver a sua atenção plena.

Você aproveita cada momento da sua vida. Que maravilha! A gente tem 24 horas por dia para se aprimorar. Não precisa ficar esperando se matricular no curso de mindfulness ou ter um professor… lógico que isso vai ajudar. Mas você entende? Se matricular no curso de mindfulness já é consequência do compromisso que você assumiu, da escolha que você fez.

Como é estar plenamente presente enquanto fazemos as atividades mais corriqueiras, como lavar a louça? Geralmente nós temos a tendência de fugir de alguns momentos que acreditamos ser menos produtivos ou enfadonhos – e, muitas vezes, lavar a louça é um deles.

A maioria das pessoas lava a louça correndo para, depois, fazer outra coisa, seja comer a sobremesa, ir para um compromisso ou ir trabalhar… Essa pressa já mostra que desconsideramos aquele momento como importante.

Como estar presente ao lavar a louça?

Quando você lava a louça, você está ali. Então, se você treina sua atenção plena nesse momento, você lava a louça sentindo a água, sentindo o sabão, percebendo como a esponja desliza, percebendo o malabarismo da sua mão manejando um copo, um garfo, e com isso você fica conscientemente presente naquele momento.

Mesmo se você pensar que está perdendo tempo lavando a louça, você deve deixar esse pensamento passar e focar no momento da experiência, que se resume a sabão, água, louça e restos de comida.

O prazer e a plenitude de lavar a louça

Que tal nos entregarmos a esse momento, e não fugir dele? Nessa entrega e percepção de pensamentos, nesse persistir a atenção no agora, em vez de embarcar em histórias paralelas e pensamentos aleatórios, você pode descobrir todos os prazeres de simplesmente lavar a louça.

Há um texto sobre essa prática que diz: “uma pessoa só pode detestar lavar a louça se ela não estiver realmente lavando louça; se estiver pensando no que fará depois”. O autor do texto sugere que imaginemos que estamos segurando e banhando um bebê, com o mesmo cuidado, envolvimento e compromisso que temos nessas horas.

Como será que é se sentir pleno ao lavar a louça? É terminar de lavar a louça e estar satisfeito, sentindo-se bem. Na verdade, não importa muito a natureza da atividade, mas sim o nível de presença, cuidado e atenção que colocamos ali. Se fizermos isso, certamente iremos concluir a atividade com sentimento de plenitude.

Atenção plena e felicidade

Uma pesquisa de Harvard revelou que quase 50% do tempo não estamos presentes nas nossas tarefas. Queremos estar em outro lugar, fazendo outra coisa. A mesma pesquisa mostrou também forte relação entre estar distraído e estar insatisfeito. Isso revela como a relação entre distração e insatisfação é forte e nos faz refletir se, estando focados, nos tornamos mais satisfeitos.

De que adianta ter uma vida “perfeita” se estou insatisfeita? Remoendo o passado, planejando o futuro, etc? Com isso, eu perco o momento, fujo do agora e perco a oportunidade de mudar o que não está legal no presente.

As pessoas podem ter muitas coisas, como casa, carro e outros bens materiais que supostamente trazem “felicidade”, e perder tudo isso por não estarem presentes e usufruindo realmente dos momentos.

Mesmo que o cenário externo não esteja ideal, é possível ter felicidade e satisfação interna aproveitando momentos simples e estar engajado neles, como no caso do exemplo de lavar a louça.

Com isso, você colhe uma sensação boa, que alimenta o corpo e traz bem-estar. Você pode ir trazendo isso para todas as atividades do seu dia. Fazendo a escolha de estar presente em todas as atividades e sendo mais feliz.

Assista o vídeo: Lavando a louça com atenção plena

Escolher estar presente é uma atitude que pode ser usada em qualquer contexto do dia a dia. Quando você escolhe estar engajado em determinado momento, certamente você aproveita muito mais do que estar em dois (ou mais) lugares ao mesmo tempo.

A internet é um exemplo de como é fácil ficar disperso, deixar de estar presente. É comum termos 10 abas abertas ao mesmo tempo no navegador, pulando de uma para outra. Isso é uma situação normal para muitos de nós.

Na internet você encontra muita informação disponível, muita coisa para fazer. Há um lado bom nisso, que é aprender, conhecer gente e até fazer compras sem sair de casa, mas o fato de ter tantas possibilidades tão facilmente pode nos levar a ligar o piloto automático e ficar nele por muito tempo.

A distração nas atividades diárias

Isso também é comum no dia a dia. Às vezes você está fazendo uma coisa e pensando em outra, ou mesmo fazendo uma atividade e a interrompe para fazer outra, e assim por diante. Você nem conclui o que estava fazendo e já vai para outra tarefa, e com isso você deixa uma ponta solta. Como será que o cérebro processa tudo isso?

Alguns mestres chamam esse hábito de mente do macaco louco, porque basicamente você pula de galho em galho sem persistir na conclusão de uma única tarefa por vez. É normal fazermos tarefas corriqueiras, como lavar a louça, por exemplo, e estar divagando em outros pensamentos.

Satisfação plena ao concluir tarefas

Será que isso traz sensação de vazio e insatisfação? A sensação de satisfação plena pode vir apenas do ato de concluir uma tarefa e ter se entregado totalmente para ela, mesmo as coisas mais simples, como lavar a louça.

Quando terminamos alguma coisa importante, como em uma formatura, nós comemoramos fazendo festa, e isso representa o encerramento de um ciclo. Podemos então pensar que um dia é cheio de pequenos ciclos: fazer uma tarefa do começo ao fim é encerrar um ciclo com êxito.

Perceba seu estado emocional

Você pode escolher realizar uma tarefa encarando-a como um ciclo e perceber a sensação que isso gera no seu corpo, ou você pode fazer uma tarefa até o final, mas no piloto automático, pensando em outras coisas ao mesmo tempo. Compare a sensação das duas situações, no final. Como será que o corpo e a mente se sentem? Qual seu estado emocional?

A atenção plena é uma ferramenta para a vida, para qualquer situação, e não só utilizada em retiros ou situações específicas. Claro que retiros também são importantes: são momentos de intensificar a prática formal para estabilizar a mente e evoluir na prática, mas é no dia a dia que você percebe as mudanças e identifica se você está empoderado ou se está se deixando levar pela distração, pela correria e sensação de falta de controle da própria vida.

A prática de mindfulness mostra os resultados em qualquer momento da vida: nos mais difíceis, desafiadores, e até mesmo nos mais corriqueiros, como lavar a louça, tomar banho, conversar com a pessoa ao seu lado etc.

A sua prática de atenção plena pode impactar muito em situações estressantes, como uma reunião de trabalho ou prova difícil. Como lidamos com esses momentos? O mindfulness pode ajudar muito.

Este artigo foi incluído na campanha sobre o Dia da Felicidade da editora educativa Twinkl.

Assista o vídeo: A escolha de estar presente

Eu recomendo fortemente que as pessoas assistam a um documentário que a BBC fez com o Jon Kabat-Zinn, quando ele já oferecia o MBSR havia cerca de 10 anos, e que fala sobre mindfulness e dor crônica. Ele se chama Healing from within

Também vale a pena ler o livro Viver a catástrofe total, do mesmo autor. Nesse livro ele conta toda a vivência dele com dor crônica e como tudo começou.

O Kabat-Zinn atendia pacientes com dor crônica em Massachusetts. Eram pessoas que já tinham passado por tratamentos medicamentosos, cirurgias e outros procedimentos que o hospital da escola médica da Universidade de Massachusetts oferecia e, ainda assim, sofriam com dor 24 horas por dia.

O documentário mostra a abordagem dele com essas pessoas. É sensacional! A primeira coisa que salta aos olhos no documentário é o amor com que ele trata as pessoas, empoderando o amor, e não prescrevendo algo. Talvez a grande percepção é que o mindfulness, da forma como a tradição traz e o Kabat-Zinn mostra, não dissocia corpo e mente, como algumas outras terapias fazem.

Há terapias que trabalham com a dissociação, e isso ajuda muitas pessoas, mas, no caso do mindfulness, ele aponta para a integração. Você entra completamente na experiência e enxerga como ela realmente é.

Antes do tratamento, o Kabat-Zinn realizava uma entrevista com cada um, porque, para ele, as pessoas tinham de se comprometer com a prática intensiva e praticar 45 minutos por dia em casa. Na entrevista, ele falava para as pessoas “olha, aqui não vamos lidar com seus problemas, dores e doenças, vamos lidar com todo o resto de você”.

Ou seja, trata-se de ajudar a conduzir a pessoa para a compreensão de que a dor e a doença estão se manifestando em um contexto. Podemos entender que somos um corpo vivo, que anda sobre a Terra, em uma experiência em que 10 trilhões de células humanas e 100 trilhões de células de micro-organismos estão em cooperação entre si e com ar, terra, sol, tudo.

A doença e a dor, que parecem enormes, na verdade, são uma parte. Quando a gente entra na experiência de enxergar a nossa existência como ela é, a gente para de adicionar camadas de avaliação, de julgamento, falta de autoconfiança, sentimento de impotência, e isso é transformador.

É um desafio grande, mas quem tem dor crônica já tentou tanta coisa e acaba ficando incapacitado para fazer muitas coisas no dia a dia; por isso, vale a pena perseverar no desafio e ter confiança.

Outra coisa que o Jon Kabat-Zinn pedia nos cursos era para as pessoas praticarem todos os dias por 45 minutos, mesmo se não gostassem, porque a pessoa deve se dedicar diariamente para que o resultado aconteça e o beneficio venha.

No documentário, há uma parte muito bonita que mostra um cara que quebrou a coluna em três lugares, em três situações diferentes. Ele não conseguia mais carregar o filho no colo, não conseguia trabalhar… O nível de sofrimento dele era enorme, dava para ver até pela expressão facial.

E é tão bonito ver o que acontece no documentário, porque a expressão facial dele começa a mudar e ele vai encontrando tranquilidade. E ele fala, no documentário, que essa questão de sentir dor o dia inteiro era uma experiência mental: na verdade, havia alguns momentos do dia sem dor, e descobrir isso foi libertador. A dor não acaba, mas você passa a lidar com a realidade objetiva, com a experiência direta das coisas.

Leia também o livro Viver bem com a dor e a doença, da Vidyamala Burch, que também traz essa abordagem de dor crônica e mindfulness.

Assista o vídeo sobre Minfulness e dor crônica

É preciso compreender que a formação de instrutores de mindfulness não é algo recente. O mindfulness moderno tem mais de 40 anos de história. Começou com Jon Kabat-Zinn, na Universidade de Massachusetts. Ele mantinha uma prática pessoal de mindfulness, viu que isso poderia ajudar as outras pessoas e criou um protocolo.

Mas, mesmo antes disso, ele usava os preceitos do Buddha Dharma, em uma prática contemplativa. Buddha foi um cara que trouxe ensinamentos essenciais pra compreender a condição humana, e a base tradicional do mindfulness se deve aos seus ensinamentos.

Depois de Buddha, já se passaram 2.500 anos de práticas e conhecimentos da exploração do mindfulness. Então, não é lendo um livro que uma pessoa estará apta a lecionar sobre isso. Existe um caminho, uma progressão para atingir um nível de conhecimento, principalmente para oferecer isso a outras pessoas.

Adquirindo responsabilidade com a prática através da formação de instrutores de mindfulness

É preciso ter consciência e muito conhecimento para aplicar o mindfulness para outras pessoas, para que não cause nenhum dano ao outro. Existem pessoas, por exemplo, que estão em estágio agudo de depressão ou têm algum transtorno dissociativo, e é preciso ter muito cuidado com o que é passado a elas.

Imagine uma Faculdade de Medicina que decide ensinar como fazer uma cirurgia de joelho a alunos de Geografia. Eles vão aprender perfeitamente como fazer a cirurgia, mas eles não entendem nada de Medicina. É a mesma coisa no mindfulness. É preciso formação e estudo para ensinar, instruir e conduzir grupos de mindfulness.

É necessário pelo menos 160 horas de estudo, que a pessoa tenha uma prática regular e diária, participe de retiros de silêncio pelo menos uma vez por ano, tenha compromissos éticos e muito mais.

A rede AbraMind, por exemplo, é uma das instituições em que posso garantir que há profissionais treinados com escopo ético, além das pessoas que tiveram treinamento dentro de centros budistas e que vêm de uma tradição clássica, que também estão aptas para ensinar.

Assista o vídeo sobre FORMAÇÃO DE INSTRUTORES DE MINDFULNESS

A impulsividade está muito ligada à questão do condicionamento e dos hábitos. Quando crianças, aprendemos a responder certas situações de determinada maneira, reproduzindo os modelos humanos à nossa volta, e isso é incorporado a nossa vida.

A partir daí, criamos certezas absolutas e passamos a contar histórias para nós mesmos. Às vezes, nem nos damos conta de que os pensamentos, as histórias que falamos, não condizem com a realidade, mas com uma interpretação nossa, uma possibilidade. Podem estar certos, errados, meio a meio…

Às vezes, isso aparece também na forma de estímulo corporal. Por exemplo, se há uma pessoa com que você teve uma discussão difícil, quando você encontra essa pessoa você tem uma reação física, corporal, ocasionada por uma impressão que ficou guardada. Isso traz uma emoção, gera pensamentos e uma atitude impulsiva.

Já ao treinar mindfulness, você se senta, respira por 10 minutos e começa a perceber tudo a sua volta, sejam fatores externos ou pensamentos e ideias internas. E você pensa: “O que estou fazendo aqui?”. A partir de uma base contínua de atenção, percebe os estímulos internos e a forma como reage a isso. Na impulsividade, você transforma o sentimento em ação; no mindfulness, não. No mindfulness, você entra em um espaço de consciência e clareza prévio à ação.

O cérebro é condicionado a ser impulsivo ou não

As pesquisas sobre neuroplasticidade mostram que o nosso cérebro muda constantemente. Ele muda funcionalmente e estruturalmente em resposta à experiência.

Existe um estudo bem famoso em foram chamados alguns voluntários que nunca tocaram piano na vida. Foi ensinada uma sequência simples de notas para tocarem com a mão esquerda. Essas pessoas tiveram de treinar 4 horas por dia, durante 5 dias. Foi usado um equipamento para escanear a atividade cerebral antes e depois do estudo. Após o treinamento, foi percebido que a área do cérebro responsável pelo movimento da mão esquerda tinha aumentado.

Chamaram outro grupo de voluntários que também nunca tinham tocado piano, ensinaram a mesma sequência e pediram para treinar 4 horas por dia, durante 5 dias, mas sem mexer a mão, apenas imaginando estar tocando. Resultado? A área do cérebro responsável pela mão esquerda também aumentou.

Mais consciência e menos impulsividade

Isso mostra como o cérebro muda em resposta à experiência mental, através de uma base de atenção. Ao tomar consciência e acolher com tranquilidade todos os fenômenos positivos ou negativos que acontecem conosco, e ao aprendermos a não agir a partir deles, reduzimos a impulsividade.

Assista o vídeo sobre MINDFULNESS E A IMPULSIVIDADE

Qual o perfil das empresas que procuram implementar os cursos de mindfulness no trabalho para seus funcionários, com o apoio da Assertiva? A demanda surge dos funcionários ou da direção da empresa? E o que as empresas esperam do mindfulness no trabalho quando procuram a Assertiva?

As demandas são variadas. A Assertiva já foi procurada por empresas que querem melhorar a produtividade no trabalho, por exemplo, o que é um desejo legítimo de quem contrata. Mas a posição da Assertiva não é oferecer cursos de mindfulness com esse propósito. Mesmo sendo provável que, ao passar pelo treino, pelo curso, o funcionário e também a empresa percebam uma melhora na produtividade.

Existem estudos que comprovam esse resultado por conta da diminuição de erros e da melhora significativa na qualidade do trabalho executado, mas não necessariamente na rapidez ou menor tempo em que o trabalho é executado. O mindfulness no trabalho também ajuda a reduzir o absenteísmo e as doenças relacionadas ao estresse e a melhorar o ambiente e a relação com os colegas.

O foco do treinamento que a Assertiva oferece é o aumento de consciência de si e do outro, o que gera aumento de criatividade, redução de estresse, melhora de relações e maior concentração, implicando mais qualidade de vida. Cabe à empresa saber aproveitar esses benefícios. Além da melhoria direta no dia a dia da empresa, os benefícios podem se expandir e gerar resultados positivos para o mundo, para os funcionários, acionista e a coletividade envolvida no processo.

Os resultados do mindfulness no trabalho na Eletropaulo e na AES Tietê

Com essas empresas, a Assertiva chegou, pela primeira vez, aos funcionários fora da área administrativa, de escritório, de organizações. Na Eletropaulo, o curso foi dado para os leituristas e para os eletricistas, pessoal de campo, que saem para as ruas para fazer manutenção em postes, por exemplo, e que provavelmente não procurariam um curso de mindfulness por conta própria.

O resultado foi surpreendente. O foco da empresa era a segurança no trabalho, o que gerou resultados bem visíveis.

O problema percebido pelas empresas era que, quando um acidente acontece com funcionários da Eletropaulo e da AES Tietê, o protocolo dita que os funcionários envolvidos precisam passar por um treinamento específico. Mas eles notaram que os funcionários que passam por esse treino específico já sabiam os procedimentos que eram ensinados. Eles então concluíram que a maioria dos acidentes não aconteciam por falta de informação, mas sim por distração dos trabalhadores, por executar o trabalho no “piloto automático”.

As empresas sabiam que o treinamento de mindfulness poderia ajudar o funcionário a trazer a atenção, voluntariamente, à tarefa que estava sendo executada – muitas vezes tarefas de alto risco, por exemplo: altura, energia de alta voltagem, confinamento em áreas das usinas hidrelétricas etc.

A aceitação do curso de mindfulness no trabalho foi muito boa. Tanto por parte dos funcionários, que se mostravam interessados no assunto mesmo após o treinamento, como também por parte da administração, que percebe  mudanças nos comportamentos das pessoas que passaram pelo curso de mindfulness. Infelizmente, o projeto (ainda) não teve continuidade por conta de mudanças nas empresas.

Vencer o desafio imposto pelo projeto trouxe muita satisfação também para a Assertiva, que se viu diante de um público diferente. E a linguagem precisou ser ajustada para que o aproveitamento fosse o esperado. O retorno recebido dessas pessoas, diante da compreensão do conteúdo e do entusiasmo com a proposta, foi surpreendente.

Então é isso o que as empresas procuram. De uma forma geral, querem melhorar a saúde de seus funcionários, reduzindo o estresse e a ansiedade, aumentando a concentração e a segurança no trabalho.

Assista o video sobre MINDFULNESS NO TRABALHO

(Pergunta da Cilene) O quanto a prática diária mantém os efeitos e amplia os impactos do Mindfulness? Tenho dificuldade em manter a prática de mindfulness no dia a dia, às vezes consigo me manter uma praticante regular, depois abandono, e depois volto.

Sim, eu imagino que você sinta os efeitos dessa quebra de ritmo. É como a prática de uma atividade física, como ir à academia. Enquanto está praticando você percebe os resultados, a reação do corpo. Mas, ao interromper o ritmo, o seu corpo também perceberá rapidamente a mudança, como, por exemplo um ganho de peso.

Quando você aprende algo sobre mindfulness, faz um curso, começa a praticar e colher os benefícios, você nunca vai perder esse novo olhar para vida, esse novo jeito de ser e as capacidades que você desenvolve. Mas, se você parar de praticar, pode esquecer um pouco do que aprendeu.

Muitos dos nossos atos, nossos condicionamentos, aquilo que é feito no piloto automático, são muito profundos. São questões que a gente adquire, às vezes, desde o útero e que foram reforçadas durante a vida. É preciso bastante treino para que alguns desses padrões realmente se revertam e mudem, para podemos encontrar um espaço de criatividade constante para lidar com a vida, em vez de ficar repetindo os condicionamentos.

Da prática de mindfulness para um novo estado de ser

O interessante é que, quanto mais você praticar (prática formal de mindfulness), mais sentirá vontade de continuar. E chega uma hora, nessa caminhada, em que você começa a efetivamente trazer a prática de mindfulness para o dia a dia, para os momentos que não são de prática formal. Você está cultivando o estado de ser e começa a sentir os efeitos dessa mudança. Percebemos isso durantes os cursos de mindfulness, através dos relatos dos alunos.

Chega um momento em que você percebe, no fazer, que você está fazendo e atuando no mundo a partir desse estado de consciência. Você percebe que está agindo a partir da consciência da irritação, e não a partir da irritação. Da mesma forma, você percebe que passa a agir a partir da consciência do medo, e não a partir do próprio medo. A atenção plena vai se impregnando em você.

O grande mestre Tarchin Hearn, autor dos livros Respirando, Satipatthana e Caminhando em Sabedoria, quando esteve no Brasil, em julho de 2017, foi perguntado sobre a prática dele. Ele falou: “Eu vou te dar uma resposta que vai te decepcionar. Eu não pratico mais desse jeito, eu não me sento e faço uma prática, eu pratico o tempo todo.”. Só que, para ele chegar até esse ponto, foram horas e horas, anos e anos praticando como nós praticamos, sentados, deitados, fazendo uma prática formal.

Nosso professor – meu, da Rita e de vários outros instrutores de mindfulness – tem mais de 45 anos de prática de mindfulness e ensino, e ele continua praticando. Então, quanto mais você pratica e mais aprofunda essa sua capacidade de tranquilidade e centramento como base, mais a capacidade de compreensão da condição humana vai aumentando. Se não der para fazer por um tempo maior, faça por um tempo curto, mas pratique.

Em minha experiência pessoal, mesmo em um dia muito cheio de compromissos, viagens, trabalho, em que eu não consiga parar para praticar durante o dia, há o momento em que estou colocando a minha filha Pema, de 6 anos, para dormir, e ela fica bem quietinha antes de adormecer. Nesse momento, estando deitado, eu faço um escaneamento corporal, mesmo que sejam apenas 10 minutos.

ASSISTA O VÍDEO: A dificuldade em manter a prática de Mindfulness no dia a dia

IMPERMANÊNCIA – A morte pode ser lidada melhor com o mindfulness? Tanto a nossa morte, quanto a de nossos amados?

“Sim”. Porém, se você está no começo do treino de mindfulness, é melhor você primeiro encontrar um espaço de tranquilidade e clareza dentro de si para poder lidar com essas questões. Os benefícios iniciais são redução do estresse, aumento da concentração e melhora nas relações.

Claro que isso, por si só, já tem um impacto positivo e ajuda você a lidar melhor com a morte e a impermanência. Você está mais em uma postura de centramento e clareza do que em uma postura reativa.

Mas isso é só o começo. Com o tempo, a partir dessa base de tranquilidade, você passa a desenvolver mais capacidade de insight, de compreensão sobre as situações.

Observando a Impermanência

Imagine uma lagoa, e no local está acontecendo um terremoto. A lagoa está agitada, e você pode jogar uma rocha de qualquer tamanho dentro da lagoa que você não conseguirá ver o efeito que essa rocha faz, pois o terremoto já está bagunçando tudo. Então, a primeira coisa é acalmar o corpo. Desenvolver tranquilidade e capacidade de perceber todos os fenômenos acontecendo. Experienciar todos os fenômenos, seja o blá blá blá mental, uma emoção, um barulho lá fora… Você desenvolve a capacidade de responder a todos os fenômenos com tranquilidade no corpo. E permanecer simplesmente na prática. Essa é uma habilidade que você vai desenvolver para a vida.

A partir do desenvolvimento da tranquilidade do corpo, vai acontecendo também uma tranquilidade mental, aos poucos, naturalmente. Imagine então que, sem o terremoto (seu corpo agitado) e sem agitação mental, quando a lagoa estiver calma, totalmente parada, você joga um grão de feijão e é capaz de ver todas as ondas concêntricas que aquilo provoca na água, em sua mente.

Esse desenvolvimento de tranquilidade no corpo e na mente permite a investigação, o insight. Permite a você experienciar fenômenos e perceber os impactos que eles causam em você e que eles causam nos outros, não só na prática, mas na vida. Porque você está cada vez mais experienciando as coisas a partir desse estado de ser tranquilo, centrado.

E, conforme sua investigação vai se aprofundando, ao longo da vida inteira, você começa a entender um pouco melhor as leis universais e, assim, se aproximar e se familiarizar com elas, e perder o medo. Você entende que este corpo vai se desintegrar. É o destino dele. Você não está mais evitando isso, mas está se familiarizando com isso e compreendendo que isso é inevitável, pois esse é o único caminho.

Se você evita isso a vida inteira, como nessas histórias que todos já ouvimos, do velhinho que tem 90 anos e começa a falar em morte, e o familiar fala “pai, para de falar disso, que coisa!”… A morte é algo muito real para uma pessoa de 90 anos! Como não falar disso? E é da mesma forma para todos nós, pois não sabemos se estaremos aqui amanhã. Essa é a realidade da existência.

Nada se cristaliza neste universo de impermanência constante

Nada é possível se cristalizar e parar só porque “eu quero que seja assim, eu gosto que seja assim, não quero que seja de outro jeito”. Agindo assim, estou gerando meu próprio sofrimento. Se eu reconheço que todos os fenômenos, tudo, absolutamente tudo é livre em sua própria base, ou seja, está constantemente mudando, mesmo para o que eu penso que é sólido já existe uma certeza de que aquilo um dia não vai mais existir.

Toda a manifestação da diversidade no mundo, das diferenças no mundo, da evolução criativa do universo e das espécies só é possível porque todos os fenômenos são livres em sua própria base. Eles jamais cristalizam, pois o universo é mudança. E é uma coisa boa, se temos essa compreensão. É possível chegar até essa compreensão através do mindfulness.

Sim, é triste perder alguém querido. Mas, com o mindfulness, podemos compreender a perda mais profundamente. E a compreensão é o que tira o medo, os preconceitos, é o que nos dá realmente liberdade.

ASSISTA O VÍDEO: Impermanência: Mindfulness e a Morte

Luiz Ribeiro da Assertiva comenta sobre Mindfulness na educação em uma sessão de Facebook Live respondendo à pergunta da Karen Kroll.

Apesar de não haver ainda muita pesquisa sobre Mindfulness na educação, as pesquisas que já foram feitas indicam que mindfulness ajuda no desempenho escolar, por aumentar a capacidade de concentração. Estamos atualmente cercados de distrações.

Talvez, no futuro, a habilidade de se concentrar em várias coisas ao mesmo tempo se desenvolva, mas na atualidade não é isso o que as pesquisas revelam. Por enquanto, o cérebro humano não consegue ter foco em várias tarefas ao mesmo tempo.

Por não sabermos se a multitarefa é uma habilidade humana em desenvolvimento, não devemos culpar as redes sociais e outras distrações, mas sim ter consciência de que podemos desenvolver essa nova habilidade sem perder a habilidade já existente de concentração e foco direcionado.

E não é somente com as crianças – a falta de concentração também acontece com os adultos, especialmente no ambiente de trabalho, e está relacionada a várias doenças, como, por exemplo, a transtornos de ansiedade. Luiz comenta sobre um treinamento que fez com Daniel Burd, da Call Daniel, que trouxe a informação de que cerca de 80% dos pacientes que chegam até os hospitais são acometidos por doenças geradas pelo estresse.

A questão é como cuidar das crianças e jovens, considerando a possibilidade de estarem desenvolvendo a habilidade de conseguir lidar com várias tarefas ao mesmo tempo, para que não percam a habilidade de manter o foco e a concentração. Não basta que os professores repreendam os alunos para que fiquem quietos e prestem atenção, é necessário dar a eles as ferramentas – é aí que o mindfulness tem ajudado na educação.

As pesquisas também indicam a redução no comportamento violento e a melhora no comportamento pró-social. O mindfulness, ao trabalhar com aceitação e reconhecimento da realidade, em vez de reatividade, ajuda a criança a se colocar em uma postura mais empática, perceber e se colocar no lugar do outro, reduzindo o comportamento de conflito violento e também o bullying. As crianças conseguem ter mais capacidade de dialogar.

Ou seja, conforme as pesquisas disponíveis até agora e a experiência relatada por profissionais, crianças e jovens, mindfulness tem um impacto positivo na educação.

ASSISTA O VÍDEO: Mindfulness na Educação